Sabe falar árabe? Como responder aos muçulmanos.

Texto de Ibn Warraq.  Título original: How to debate with the muslims.

Você sabe falar Aramaico ou hebraico?

Os muçulmanos em geral têm tendência de desarmar qualquer crítica ao Islã – e ao Alcorão em particular – perguntando se o crítico já leu o Alcorão em sua língua original Árabe, como se toda dificuldade de seu texto sagrado fosse desaparecer quando o leitor dominasse a língua sagrada e tivesse a experiência direta, áurea e visual, das palavras exatas de Deus, para com as quais nenhuma tradução pode fazer justiça.

Todavia, a maioria dos muçulmanos não é falante nativa do Árabe. Indonésia, por exemplo, com uma população de 197 milhões; Paquistão, com 133 milhões etc. Tudo isso já supera o número de falantes nativos do Árabe em cerca de 30 países no mundo, estimados em 150 milhões. Muitos muçulmanos educados cuja língua não é Árabe realmente a estudam só para conseguir ler o Alcorão. Mas deixe me afirmar de novo: a maioria não entende uma palavra do Árabe, mesmo que saibam de cor algumas partes do livro.

Em outras palavras, a maioria dos muçulmanos tem que ler o Alcorão com a ajuda de traduções para poder entender. Ao contrário do que se pensa, tem havido traduções para o Persa desde o século XI, e há traduções para o Turco e para o Urdu. O Alcorão tem sido traduzido para mais de cem idiomas, a maioria pelos próprios muçulmanos, apesar da desaprovação das autoridades religiosas.

Mesmo para os contemporâneos que falam Árabe, ler o Alcorão está muito longe de ser um assunto fácil e direto. O Alcorão é putativamente escrito naquilo que chamamos Árabe Clássico, mas a população árabe moderna (afora o problema do analfabetismo), não fala, não lê, nem escreve e muito menos pensa em Árabe Clássico. Ao invés disso, somos confrontados com o problema da “diglossia”, que é uma situação onde duas variedades da mesma língua existem lado a lado. As duas variedades são a “alta” e a “baixa”. O Árabe “alto” é às vezes chamado Árabe Literário Moderno ou Árabe Padrão, e é aprendido através da educação formal em escolas, do mesmo jeito que o Latim ou o Sânscrito. É usado em sermões, palestras de universidades, noticiários e para fins de mídia.

O Árabe “baixo” ou coloquial é um dialeto que os falantes nativos adotam como língua materna, e é usado em casa ao se conversar com a família e amigos; e também é usado nas novelas de televisão. Mas as diferenças entre os dois tipos são tão grandes que um fazendeiro analfabeto poderia entender no máximo uma palavrinha aqui e ali. Se alguém ajuntasse esses árabes em uma sala com pessoas que nunca falaram árabe clássico, um mal ia conseguir entender o outro.

Embora alguns estudiosos tolerem pequenas mudanças, eles pintam um quadro equívoco da situação linguística dos países modernos que falam Árabe. Estes estudiosos implicam que qualquer um que consiga ler um jornal na língua moderna não deveria ter nenhuma dificuldade com o Alcorão ou outro texto em Árabe Clássico. Eles parecem insensíveis à evolução da língua, às mudanças em seu uso, e o significado dos termos através do longo tempo e das áreas em que essa língua tem sido usada. Qualquer um que viva no oriente Médio nos anos recentes irá saber que a língua da imprensa é – na melhor hipótese – semiliterária, e certamente simplificada – pelo menos no que diz respeito á sua estrutura e vocabulário.

Poder-se-ia chamar de erro gramatical – se fosse considerado o ponto de vista do Árabe Clássico – a linguagem dos jornais diários ou televisão. Esta linguagem semiliterária não é genuína, e certamente, ninguém pensa nela. Para um árabe médio levaria muito esforço até para construir uma frase simples em Árabe Clássico, quanto mais conversar. O linguista Pierre Larcher tem escrito sobre a considerável lacuna entre o árabe medievo e o clássico moderno.

(…)

Larcher tem apontado que todas as vezes que se tem uma situação linguística onde duas variedades da mesma língua coexistam, ter-se-á também uma tendência ao hibridismo, o que leva aos linguistas cunharem o termo “triglossia”. Gustav Meiseles chega a falar em “quadriglossia”: entre o Árabe Literário e o vernáculo, ele distingue um sub-padrão de Árabe e um Árabe falado por pessoas mais educadas. Ainda outros falam em pluri, ou multi, ou poli glossia vistas como um expansionismo.

 O estilo do Alcorão é difícil e totalmente diferente da prosa de hoje, e ele seria praticamente incompreensível sem glossários, ou comentários inteiros. A conclusão é que mesmo os árabes mais educados precisam recorrer às traduções se quiserem tirar algum sentido dessa escritura tão alusiva e indescritível.

Se você for indagado agressivamente “sabe falar Árabe?” Então responda triunfante: “você tem que ler o Alcorão no Árabe Original para entendê-lo completamente”. Não muçulmanos e pensadores ocidentais, bem como ateus, são reduzidos ao silêncio com essa tática muçulmana. Tornam-se recatados e na defensiva quando se trata de criticar o Islam. Eles debilmente reclamam: “quem sou eu para criticar o Islam? Não sei Árabe”. E ainda assim eles se sentem felizes em criticar o Cristianismo. Quanto pensadores ocidentais e ateus sabem falar Hebraico? Quantos sabem em língua o livro de Esdras foi escrito? Ou em que língua o Novo Testamento foi escrito? Claro, os muçulmanos também são livres em sua crítica da Bíblia e do Cristianismo sem saber uma só palavra de Hebraico, Aramaico ou Grego.

Então deixe-me resumir: você não precisa saber Árabe para criticar o Islam ou o Alcorão. Paul Kurtz não sabe falar Árabe mas ele fez um bom trabalho sobre o Islam em seu livro The Transcedental Temptation. Você só precisa de senso crítico e ceticismo.

Em segundo lugar existem traduções do Alcorão que são feitas pelos próprios muçulmanos, então eles não podem reclamar que tradutores infiéis deliberadamente modificaram o texto.

Terceiro: a maioria dos muçulmanos não é árabe nem falante do Árabe. A maioria vai precisar de traduções.

E finalmente a linguagem do Alcorão é um tipo de Árabe Clássico que é totalmente diferente da forma falada de hoje, então até mesmos árabes precisam confiar nas traduções para entender seu texto sagrado. O Árabe é uma língua semita relacionada com o Hebraico e o Aramaico e não é fácil, mas também não é mais difícil de traduzir que qualquer outra língua. Claro que há dificuldades com sua linguagem, e isso já foi reconhecido pelos próprios estudiosos. É realmente um texto opaco, mas é opaco para qualquer um: nem os estudiosos muçulmanos entendem um quinto do que está escrito.

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ibn_warraq

Sobre o autor: Ibn Warraq é o pseudônimo de um ex-muçulmano nascido na Índia e criado no Paquistão e na Inglaterra. Famoso pelas suas críticas ao Alcorão e às sociedades islâmicas, Warraq também é fundador do Institute for the Secularisation of Islamic Society (ISIS) que é um instituto que promove a secularização dessas sociedades.

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1 Resultado

  1. wafá disse:

    cada palavra do alcorao possui 7 significados!!!! nao sei ate que ponto o senhor se informou para escrever esse monte de baboseiras, apenas nao siga a religiao, viva sua vida e respeite os outros!!!

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